Su Yue, a maior referência do mundo dos assassinos, renasceu como uma recém-nascida. Ela queria passar esta vida comendo e bebendo à vontade, cultivando ervas medicinais e brincando com insetos venenosos... que vida tranquila, pensou. Mas acabou sendo expulsa da montanha por seu mestre. O grande irmão é o príncipe de outro país, o segundo irmão é o líder das artes marciais, o terceiro irmão é um médico milagroso, o quarto irmão... bem, esse a gente ignora. O imperador é seu pai biológico, seu irmão é príncipe, o grande general que guarda a nação é seu avô materno, e ainda há três tios de brinde. Ela pensou que poderia, sem dúvida, começar uma vida de pura preguiça, mas quem diria...
Rumble, rumble...
No Monte da Nuvem Branca, o céu noturno, negro como breu, foi rasgado por um relâmpago; em seguida, os trovões ribombaram e desabou uma tempestade de vento e chuva.
Duas mãos pequenas, alvas e delicadas, agarravam o capim selvagem à margem do rio e lutavam para subir. Um vestido vermelho encharcado colava-se ao corpo. Vendo de perto, era uma jovem já grávida de oito meses, e pelo porte, estava claramente prestes a dar à luz. Com grande esforço, ela rastejou até uma árvore imensa junto ao rio e apoiou-se ao pé do tronco. Seu rostinho estava pálido como papel, e ela gemia baixinho. Apesar do estado lastimável, ainda era possível distinguir uma beleza deslumbrante, de cair por terra.
O tempo foi passando aos poucos. A mulher mordia os lábios com força; fios de sangue escorriam deles, mas ela ainda resistia, sem deixar escapar um único som. O sangue sob seu corpo encharcava a terra lamacenta. Ninguém sabia quanto tempo havia passado quando um grito de dor ecoou, seguido pelo choro forte e cheio de vida de um recém-nascido.
A mulher ficou imóvel por um instante, como se estivesse morta. Apenas o choro agudo do bebê ressoava sem parar, como se pressentisse algo.
Talvez tenha passado um quarto de hora, talvez ainda mais. Os dedos da mulher se mexeram; seus olhos se abriram lentamente. Ao encarar a criança que chorava sem parar, seus olhos ganharam um pouco de luz. Ela se moveu com dificuldade e a tomou nos braços.
Era uma menina. Sua filha.
Ela tirou o próprio vestido vermelho e envolveu a criança, e o olhar que lançou