Nascido em uma família de policiais, Bai Mo tinha um coração voltado para a arte. Sonhando em se tornar pintor, ele acabou sendo apenas um investigador criminal. Um cadáver de uma mulher encontrado à beira-mar ao amanhecer, um suicídio estranho, um sequestro bizarro: caso após caso, tão inacreditáveis quanto perturbadores, ajudaram Bai Mo a compor uma série de quadros de um negro profundo. A arte pode se manifestar de qualquer forma. As tintas capazes de retratar as cenas mais belas do mundo também podem registrar os crimes mais sórdidos. E a luz é o pincel que registra tudo.
Um sol intenso atravessava as nuvens brancas e rarefeitas e se derramava sobre a terra, enquanto o som das ondas, de tempos em tempos, reverberava ao longo daquela costa vazia.
Uma multidão agitada se comprimia do lado de fora da fita de isolamento, observando os policiais e os legistas entre os seixos da praia. Alguns esticavam o pescoço ao máximo, como se tivessem um interesse especial no cadáver cercado pelos peritos.
Uma mulher de jaqueta de couro preta e rabo de cavalo curto abriu caminho entre as pessoas até a primeira fila. Usava óculos escuros; alta e esguia, exibia sob a armação larga lábios vermelhos como fogo.
“Chefe Lu!”, chamou Zeng Hao, erguendo a fita de isolamento com um toque de cansaço no rosto.
Lu Wan se abaixou e passou por baixo da faixa, tirou os óculos e revelou um rosto delicado, com sobrancelhas finas como folhas de salgueiro e olhos claros e vivos.
Já dentro do perímetro, Lu Wan foi em direção ao grupo de legistas.
Zeng Hao a acompanhou, dizendo: “A vítima é uma mulher, o rosto foi desfigurado, não há sinais de violência sexual. O ponto mais suspeito na cena é que os sapatos e o casaco da vítima desapareceram. Acreditamos que o criminoso está tentando apagar os vestígios; os sapatos e o casaco devem levar à identidade da vítima ou do assassino.”
Lu Wan assentiu de leve. O raciocínio de Zeng Hao parecia fazer sentido. Enquanto falava, ela já havia chegado atrás do corpo.
Era o cadáver de uma mulher, e Lu Wan só podia ver suas costas.
A vítima estava descalça, ajoelhada e apoiada sobre uma gran