Primavera graciosa

Primavera graciosa

Autor: Devorando torta de durião

Na primeira vez que se encontraram, Xie Fengyue matou a pessoa com um único golpe; na segunda, ela chorava ao lado dos demais, com lágrimas como chuva de flores de pera, num ar de extrema tristeza e injustiça, tão lastimável quanto podia ser. Xie Fengyue, uma jovem de um ramo secundário que vestia a pele de uma bela e frágil donzela, lutava com dificuldade para sobreviver na mansão Xie. Por acidente, foi vista em pleno ato de matar por Yan, o jovem senhor de uma grande família. Mas ele, por algum motivo, viu tudo sem jamais a desmascarar; dia após dia, apenas a observava friamente, esperando que essa jovem viesse ao seu lado representar seu teatro. Yan observava, com olhar gelado, aquela mulher de coração negro mentindo sem parar e enganando os outros; mas foi só quando a moça, sorridente e radiante, olhou para ele que ele passou a odiar de verdade aquela boca que escondia uma lâmina em doçura.

Primavera graciosa

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Capítulo 1: A Ama

No inverno do décimo quinto ano da Era Qian'an, a neve que caía sem cessar por dias parecia querer enterrar de uma vez todos os ossos brancos deixados pela luta entre os grandes clãs aristocráticos e o poder imperial da família Zhou.

Quando os flocos esparsos que desciam sobre o monte Yuntai atingiram o rosto de Xie Fengyue, ela estava postada na entrada da serra.

Enfrentando o vento cortante, as mangas de suas vestes de luxo agitavam-se ao sabor das rajadas, e os ornamentos de jade que trazia ao corpo tilintavam sem cessar. De cabeça baixa, ela observava a longa coluna de escolta que seguia a encosta, cada vez mais distante, com expressão indecifrável.

No início do ano, ainda era apenas uma ramificação lateral da família Xie, de Chenjun. Mas a mudança veio depressa demais; em poucos dias, por causa das disputas entre facções, sua casa inteira foi desterrada para as terras pestilentas de Lingnan.

Até ela mesma teve de ser adotada pela linhagem principal da família Xie, tornando-se dama da casa principal, para, na primavera, entrar no Palácio de Wu como a nova rainha.

A criada Zhizhi, vendo-a perdida em direção ao horizonte, falou com cautela:

— Dama, já saímos faz duas horas. Está na hora de voltar para a residência.

Terminada a frase, ela ergueu um pouco o rosto para observar-lhe a expressão. Vendo que Xie Fengyue permanecia serena, voltou a baixar a cabeça.

— Sim... é hora de voltar — disse Xie Fengyue, enfim, depois de acompanhar com os olhos a comitiva de escolta desaparecer ao pé da montanha. Seu tom trazia triste

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