Há sempre uma canção que, de súbito, penetra a alma e o coração. Há sempre uma canção que, inesperadamente, faz brotar lágrimas silenciosas. Cada pessoa tem a sua própria canção do destino, seja ao cantá-la, seja ao ouvi-la. Quando a ouvimos pela primeira vez, não compreendemos seu sentido; ao ouvi-la novamente, já nos tornamos parte de sua história.
— Que banalidade!
— Anos sendo um bajulador, a deusa vira namorada, entrego tudo, finalmente de mãos dadas; assino com uma empresa, o romance se dissolve; na véspera da formatura, confirmo o rompimento. Sofro demais, bebo a noite inteira; o antigo dono desta vida sucumbiu, e agora assumo eu?
Como um quarentão da geração dos anos oitenta, marcado pelo “996” e pelos açoites cruéis da sociedade, com a alma dilacerada, Song Dao jamais imaginou que atravessaria para um mundo paralelo, habitando o corpo de um jovem estudante do curso de composição, prestes a se formar num conservatório de música, no ápice de sua juventude.
Também se chamava Song Dao!
Tsc, esse nome parece carregado de má sorte.
Minha vida já era amarga o suficiente, e embora o antigo dono fosse jovem, sua trajetória não parecia mais auspiciosa do que a minha. Confirmava-se o dito: “Todas as vidas felizes se assemelham, mas cada infeliz é infeliz à sua maneira.”
Ao menos vivi razoavelmente bem até os trinta e cinco anos; este, porém, teve sua existência abruptamente encerrada aos vinte e quatro.
Certa vez escutara uma teoria: o chamado transmigrar seria, na verdade, um entrecruzamento e sobreposição de mundos de neutrinos, causado por falhas no tecido do tempo e do espaço, onde a alma desperta no corpo de si mesmo em outro universo.
Então, teria sido o próprio destino, incapaz de assistir tamanha tragédia, que me concedeu uma nova chance em outro mundo?
O que levou Song Dao a tal conjectura foi, sobretudo, o sistema que agora carregava em sua mente.
Fos