Aos olhos da maioria, ele era um policial medíocre, incapaz, ganancioso e até um tanto tolo. Por sua causa, operações fracassavam com frequência e informações cruciais eram inadvertidamente reveladas em mais de uma ocasião. Contudo, possuía uma vasta rede de contatos, era hábil na adulação e na busca de vantagens, e, assim, mantinha-se incólume nos altos círculos militares e políticos. Para os japoneses e colaboracionistas, era tido como leal e confiável. Já sob a ótica do Departamento de Inteligência Militar, era considerado um talento, um verdadeiro benfeitor. Na realidade, porém, ele sempre esteve sob a liderança do nosso Partido: era um combatente revolucionário convicto, um notável agente de inteligência na clandestinidade! Em meio às sombras, reverteu situações desesperadoras e conquistou feitos imortais! Etiquetas definidas pelo autor: protagonista comum, agente astuto, espionagem, carreira profissional
21 de junho de 1939, quinto dia do quinto mês lunar, Festival do Barco-Dragão. O céu estava carregado, uma garoa fina caía, tornando turva a visão à distância; nas ruas, as pessoas não passavam de vultos indistintos. A cidade antiga de Guxing, devastada pela guerra e frequentemente bombardeada, exibia por toda parte seus muros esfacelados e vestígios de destruição. Embora fosse uma festividade tradicional, o mercado permanecia desolado; das lojas, somente metade ou pouco mais mantinha as portas abertas, e os transeuntes eram ainda mais raros.
Contudo, os que precisavam sair, ainda assim deviam enfrentar as ruas. Por mais cruel que fosse a guerra, era preciso sobreviver. De uma residência situada ao sudeste do bairro Yuping, emergiu um jovem policial trajando uniforme negro. Tinha a testa larga, as sobrancelhas espessas e levemente franzidas, o nariz reto, os lábios bem delineados e cerrados com firmeza. Chamava-se Zhu Muyun, um simples patrulheiro do Departamento de Segurança Pública da Polícia de Guxing.
Naqueles dias, um patrulheiro reunia em si as funções do policial moderno, do policial de bairro e até do fiscal urbano. Era responsável pelos riquixás e triciclos, pelos pequenos comerciantes, pelas rondas nas ruas, e até pelas cerimônias de casamento e luto alheias – quase tudo que ocorresse à vista pertencia à sua alçada. Ordenamento do trânsito, colaboração em investigações, até mesmo a captura de resistentes ao Japão, tudo recaía sobre seus ombros.
Zhu Muyun ergueu os olhos para o céu com indolência, murmurando: “Tempo miserável”, enquanto trancav