No jogo da vida, a identidade é uma veste que cada um tece para si. Este círculo do entretenimento, quero ver com meus próprios olhos que mistérios encerra.
Sussurrava o mar...
A noite era negra e o vento, impiedoso; sobre a superfície escura do oceano, não se via nada além das trevas, restando apenas o rumor incessante das ondas a preencher o silêncio.
Buzinava, então, um pequeno barco envelhecido, que singrava lentamente as águas.
No convés junto à proa, uma mesinha baixa abrigava petiscos simples: amendoins, tiras de água-viva, kimchi apimentado — iguarias para acompanhar a bebida.
Dois homens sentavam-se em tamboretes redondos, frente a frente, em torno da mesa.
À esquerda, um homem de meia-idade, com um ar ligeiramente seboso, cabelos partidos ao meio e um pouco compridos; sobre o lábio, uma grande verruga negra. Era o dono da embarcação.
— Da Hu... Quando volta desta vez? — perguntou o homem de meia-idade, erguendo a taça de licor, olhos semicerrados, lançando um olhar sugestivo ao Rolex que reluzia no pulso do jovem à sua frente.
...
— Quando volto? He... E você, quantos dias fica atracado desta vez? — devolveu o jovem, rindo de leve.
— Cinco dias. Em cinco dias estou de volta. Nesta viagem não trago muitos passageiros. Devo esperar por você? — insistiu o homem, sondando, pela segunda vez, a data do retorno do jovem.
— Não precisa esperar. Preciso voltar ao país para resolver um documento. Agora, até para comprar uma passagem de trem, exigem identidade — respondeu o jovem, levando a taça aos lábios e atirando displicente a ponta do cigarro ao mar.
— Ah, é? En