4 de abril. O apocalipse irrompeu, montanhas e rios despedaçaram-se, o mundo dos homens transformou-se em um autêntico inferno. 5 de abril. “Irmão Wang, antes de morrer, peço-te um último favor: cuida da tua cunhada por mim…” 7 de abril. Wang Tao, por acaso, descobriu que não apenas conseguia enxergar a barra de vida dos seres vivos, como também aqueles que matava deixavam cair tesouros! “Irmão, parte em paz. Prometo que cuidarei bem da cunhada!”
“Passei de fase!”
Ao ver o personagem do jogo esmagar o chefe final com um único soco, Wang Tao sentiu uma onda de prazer atravessar-lhe o peito.
Na verdade, sua dependência de jogos não era grande, afinal, o trabalho ocupava-lhe quase todo o tempo. Mas, sempre que jogava, fazia questão de alcançar a perfeição—não aceitava nada menos que concluir as fases sem sofrer danos ou destravar todas as conquistas.
Claro, isso se limitava aos jogos offline; com sua situação financeira, não podia se dar ao luxo dos jogos online que exigem compras dentro do aplicativo.
Desta vez, Wang Tao jogava um título chamado “Massacre Pós-Apocalíptico”, um beat ‘em up de progressão lateral, sem grande profundidade, apenas um passatempo. Nem sequer se lembrava de quando o havia baixado; jogou o dia inteiro e, por fim, conquistou todos os troféus.
“Vou sair para um grande jantar, preciso recompensar a mim mesmo pelo esforço!” Contudo, ao lançar um olhar pela janela e deparar-se com a cortina cerrada de chuva, Wang Tao franziu o cenho. “Ainda está chovendo...”
Era um dublê comum em filmes de ação; o motivo de estar jogando em casa, em vez de trabalhar, era precisamente o dilúvio lá fora, que levara à suspensão das gravações do dia.
“Estou exausto, não quero cozinhar... Tem um pequeno restaurante logo abaixo, não fica longe…”
No fim, Wang Tao decidiu sair para comer.
Assim que abriu a porta, a do apartamento em frente também se escancarou.
Apareceu uma jovem senhora trajando um vestido preto. Na mão esquerda, segurava o telefone; na dobra