Após atravessar para este novo mundo, Zuo Chen dedicou-se diariamente, com afinco, ao cultivo rigoroso da Arte Suprema dos Cinco Trovões. No entanto, ao descer a montanha, deparou-se subitamente com uma estranheza inquietante: nada parecia se encaixar como antes. Havia magias de corrupção, incensos sombrios, monges urso de túnica e borboletas que roubavam almas. Afinal, eu vim parar num mundo repleto de mistérios e terrores? Então, com minha Arte dos Cinco Trovões, não seria capaz de aniquilar qualquer criatura com um único golpe?
Nuvens de fumaça se estendiam por milhares de léguas, entre montanhas longínquas e águas profundas.
No interior da Montanha Cinzenta, havia uma trilha de pedras azuis, tomada por ervas daninhas e musgo, como se há muito tempo ninguém passasse por ali para cortar lenha ou comerciar.
Subindo pela trilha, avistava-se algumas amoreiras floridas, que delimitavam um espaço aberto, no centro do qual erguia-se uma cabana de palha.
Havia de tudo no pequeno pátio: uma faca para cortar lenha, um grande tronco para apoiar a madeira, um galinheiro cercado por galhos, mas nada de mesas ou bancos para receber visitas.
Atrás da cabana havia um espaço aberto, onde se erguia uma lápide. Diante dela, um jovem monge de rosto bonito suspirava profundamente.
“Mestre, estudei por dois anos e meio até alcançar o Estabelecimento da Base. Tirando o fato de que a virtude aumenta o poder da magia do trovão, nosso livro sagrado não traz mais nada. Preciso descer a montanha para buscar outros métodos.”
O jovem aparentava não ter sequer vinte anos, usava um chapéu alto torto, o manto já mostrava sinais de velhice, a mão direita estava às costas, a esquerda segurava o livro sagrado enquanto suspirava, falando com o velho enterrado ali.
Dois anos e meio antes, Zuo Chen havia atravessado para este mundo e, ao abrir os olhos, deparou-se com um velho monge à beira da morte.
“Vivemos em tempos turbulentos, não se encontra a verdadeira senda, não se pode descer a montanha!”
O velho monge bufou e arregalou os olhos, e então sua cabeça tombou do pe