Há duzentos anos, no campo de batalha de Rio Azul, o último exército do Império da Luz sucumbiu ao clamor das hordas demoníacas, e tanto o último marechal quanto o imperador tombaram em combate. A confusa terra de Xichuan ficou sem um soberano comum; senhores de guerra ergueram-se em todas as partes, mergulhando a região em conflitos incessantes. O poder militar tornou-se o único recurso para sobreviver, e dominar o mundo passou a ser o sonho dos fortes ao longo das gerações. No sudeste do continente, existe uma poderosa linhagem com mais de duzentos anos de história: a família Zikuan. Eles enfrentaram o clã Liufeng a oeste, resistiram às forças demoníacas a leste, e mantiveram o clã Lin sob controle ao sul. Movidos pelo sonho de grandeza e pelo desejo de perpetuar a herança da família, inúmeros heróis de Zikuan sacrificaram-se, uns após os outros, compondo uma história épica e majestosa. Esta obra, "Zikuan", narra a triste e lendária saga de um século dessa família extraordinária.
— Quem foi que disse que o exército dos demônios era tão forte? — O subcomandante Rogério olhava com orgulho para as tropas de elite demoníacas em fuga desordenada ao pé da montanha, como uma maré recuando. — Pelo visto, eu sou ainda mais forte.
O subcomandante Brancalvo lançou-lhe um olhar de desprezo, ignorando-o por completo.
O subcomandante Longino comentou tranquilamente:
— Anteontem, alguém aí não dizia que estávamos todos condenados e que devíamos fugir para salvar a pele?
— Gente que mina a moral da tropa antes da batalha é quem eu mais detesto! — Rogério exclamou, indignado, como se não tivesse nada a ver com o assunto. — Se eu pegar esse sujeito, mando executar sem piedade!
— Você está com amnésia? Estou falando de você mesmo, seu sujeito!
— Ora, quando foi que eu disse algo assim? — Ele se virou para Brancalvo. — Não era de você que estavam falando?
Brancalvo observou friamente os dois rivais trocando farpas, mas virou seu cavalo e anunciou:
— Vou verificar se o comandante tem alguma ordem para nós.
***
Os vinte mil cavaleiros de negro estavam perfilados silenciosamente no alto da colina. Não se ouvia um ruído, apenas ao longe, o tumulto das tropas demoníacas em retirada, além do som profundo do vento varrendo a planície de Hengchuana, como se as almas dos mortos em batalha se recusassem a abandonar o último refúgio de suas existências.
No topo do outeiro, imponente, erguia-se um guerreiro em armadura prateada. Sua figura alta e altiva transmitia a autoridade inata de um comandante supremo. A luz do e